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4 soluções sustentáveis para reduzir custos nas empresas

Uma visão sustentável, para além da elaboração conceitual, requer ações práticas que ajudem a reduzir o impacto da atividade humana sobre o planeta

Sustentabilidade é um termo que adquiriu um amplo espectro semântico. Seu conceito, em geral, é associado a decisões políticas internacionais que envolvem o futuro do planeta — ou como forma de estimular as pessoas a desenvolverem ações, comportamentos e atitudes à favor da sustentabilidade.

Ser sustentável, no entanto, envolve não apenas ser amigo da natureza. Uma visão sustentável, para além da elaboração conceitual, requer ações práticas que ajudem a reduzir o impacto da atividade humana sobre o planeta — seja em nível individual, empresarial ou nacional.

Em nível empresarial, as soluções sustentáveis podem ser vistas por uma direção conservadora como anódinas ou custosas. Mas essa mentalidade já não é predominante. A mais recente edição da pesquisa Valor Estratégico da Sustentabilidade, realizada pela consultoria McKinsey & Company Global, a maior razão pela qual os executivos entrevistados adotam ações sustentáveis é o alinhamento do conceito com metas, missões e valores empresariais (42%). Reputação corporativa (36%) e corte de custos (26%) vêm em seguida.

O executivo Ray Anderson observa, em uma apresentação no TED, que o impacto ambiental de um negócio é o produto do impacto gerado por pessoas, o que elas consomem e como é feita a produção. O modelo que ainda impera mantém o foco na extração de recursos e geração de resíduos. A tecnologia, no entanto, pode ser o elemento divisor — ou seja, atuar na redução do impacto.

A tecnologia tem uma profunda relação com a inovação e com a criatividade. Portanto, ideias criativas podem ser implementadas para reduzir desperdícios, gerar economia, aumentar o faturamento e criar novos modelos de negócios.

Reuso de água

Na primeira década do século, 2,5 bilhões de pessoas viviam em áreas com insuficiência de água. Em 2025, esse número deve chegar a 3,5 bilhões. É um recurso limitado, embora essencial para a vida humana. Grandes empresas geralmente mantêm contratos junto a concessionárias para um consumo mensal de milhares de metros cúbicos. A conta não é só ambiental, mas também financeira.

Projetos de reutilização da água nas organizações podem envolver desde o aproveitamento da água das torneiras para descarga até o tratamento dos efluentes, que podem ser reaproveitados ou devolvidos com segurança à natureza.

Construído em uma Área de Preservação Permanente (APP), o Catarina Fashion Shopping, localizado no município de São Roque (SP) encomendou a construção de uma Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) própria. O local não é atendido por rede pública e o descarte do esgoto não-tratado pode render multas por crime ambiental.

De acordo com a AcquaBrasilis, empresa responsável pelo projeto, o custo da solução varia entre 1% e 2% do custo total da obra e pode ser revertido em lucro para a empresa: o esgoto tratado pode ser utilizado para regar jardins ou aproveitado para uso interno, como descargas.

Aquecimento de água com energia solar

O consumo de energia elétrica é uma das principais dores de cabeça de empresários do segmento hoteleiro — em alguns casos, o custo supera a folha de pagamento e o consumo de água. Para prover conforto para os clientes, um dos principais itens indispensáveis é o chuveiro elétrico. Se em uma residência familiar ele já é o vilão da fatura, em um hotel com centenas de leitos o custo dispara.

De acordo com o Departamento Nacional de Aquecimento Solar (Dasol) da Associação Brasileira de Refrigeração, Ventilação e Aquecimento (Abrava), o gasto em um hotel de 300 quartos apenas com energia elétrica chega a US$ 1,2 milhão por ano. Dados do órgão apontam que 6,24% da energia produzida no Brasil é utilizada no aquecimento de água para banho.

A solução — ao menos para estabelecimentos localizados em regiões onde há sol na maior parte do ano — é a implementação de um Sistema de Aquecimento Solar Térmico (SAS). O sistema consiste em placas que captam a energia solar e a transfere para a água localizada em um reservatório. Lá, a água permanece aquecida para uso mesmo durante a noite ou em dias chuvosos. O mesmo método pode ser utilizado em residências.

Educação financeira dos funcionários

O Brasil tem um péssimo histórico quando o assunto envolve finanças. Governos, empresas e cidadãos gastam além da conta, deixam de pagar, parcelam faturas e pagam juros altíssimos como consequência. A ampliação do acesso a linhas de crédito para adquirir imóveis e bens de consumo levou a uma mudança de comportamento dos consumidores.

Esse aumento do poder de compra não veio acompanhado da educação para o consumo, o que levou ao comprometimento da renda familiar com despesas de longo prazo e ao endividamento. Dinheiro representa tudo o que é produzido numa nação; ou seja, desperdiçar dinheiro é uma atitude que tem reflexos ambientais. Se as pessoas não sabem gerir recursos privados e limitados, não há razão para acreditar que elas teriam uma atitude distinta quanto aos recursos públicos.

Empresas devem atrair para si a tarefa de transmitir essa mentalidade aos seus funcionários. Trabalhadores endividados produzem menos, perdem mais tempo no trabalho cuidando das finanças pessoais e podem prejudicar outros funcionários. O industrial Salvador Arena ficou conhecido por oferecer linhas de crédito para seus empregados na Termomecânica São Paulo para protegê-los das taxas do mercado.

Os fundamentos de uma sociedade que pensa em desenvolvimento sustentável passam pela educação financeira.

Certificação de fornecedores

A responsabilidade não pode ser terceirizada junto com a produção. Casos de utilização de mão de obra precária e escrava já resvalaram em grandes marcas de vestuário. É cada vez mais comum a preocupação de saber a origem da matéria-prima dos produtos consumidos, especialmente quando se trata de alimentos.

Embora sejam empresas diferentes, o revendedor tem poder de barganha no mercado em relação ao seu fornecedor, especialmente quando se trata de uma grande rede ou marca. Além disso, associações setoriais têm autonomia para trabalhar com certificações independentes, aumentando a competitividade de negócios ecológica e socialmente corretos.

 

Fonte: Administradores.