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Com alta do juro, inadimplência de 2013 tem um quinto do crescimento de 2012

As seis altas seguidas da taxa básica de juros (Selic) em 2013 fizeram com que a inadimplência dos consumidores fechasse o ano passado com pouco menos de um quinto do crescimento dos calotes do ano anterior.

O calote de pessoas físicas subiu 2,33% no acumulado de janeiro a dezembro do ano passado. Em 2012, a alta acumulada havia sido de 12,18%. Os dados foram divulgados hoje pelo SPC Brasil.

Apenas em dezembro, a inadimplência teve queda de 4,44% sobre o mesmo mês do ano anterior. Foi a quarta baixa mensal consecutiva e a mais acentuada desde o início da nova série histórica do SPC, em janeiro de 2012. Sobre novembro, houve recuo de 1,73%.

O índice leva em consideração mais de 150 milhões de consumidores cadastrados em 1,2 milhão de pontos de vendas espalhados por todo o Brasil.

Roque Pellizzaro Junior, economista do SPC Brasil, aponta o aumento da Selic, que encarece a tomada de crédito, como o principal fator que levou à queda da inadimplência.

“O spread bancário maior e a menor confiança dos comerciantes sugerem que a concessão de crédito está mais rigorosa. O atual cenário é de um consumidor retraído para novas compras e forçado a adequar o próprio orçamento frente a um novo ambiente econômico”, diz.

A inadimplência também tende a cair porque o consumidor que contrata um empréstimo já passou por uma análise mais rígida por parte das instituições financeiras, o que aumenta as chances de que ele tenha condições de honrar o compromisso, afirma a economista do SPC Brasil.

Para Luiza Rodrigues, também economista do SPC Brasil, a queda da inadimplência no final do ano passado também reflete a injeção de capital extra com o pagamento do 13º salário e o incremento de vagas temporárias no mercado de trabalho, que favoreceram o pagamento de dívidas.

Em 2014, os economistas projetam uma taxa de inadimplência semelhante a do ano passado, mas com viés de alta. Isso porque, pela primeira vez em vários anos, a perspectiva é de uma inversão no panorama positivo do mercado de trabalho, segundo Pellizzaro Junior.

“Até 2012, o cenário macroeconômico foi muito favorável para o comércio. As medidas adotadas pelo governo para estimular o mercado interno frente à crise econômica global foram bem sucedidas, mas o ciclo de crescimento do varejo em patamares chineses ficou para trás e agora estamos com um crescimento mais modesto, ainda que superior ao PIB nacional”, diz.

A taxa de desemprego corre o risco sofrer um leve aumento em 2014 a medida em que persistir o ritmo de desaceleração da economia brasileira, o que afetaria o consumo, segundo Luiza.