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CONSUMIDOR SE CONCENTRA EM ITENS BÁSICOS E PRESSIONA RESULTADO DO VAREJO

Por Fernando Scheller e Marina Gazzoni

Com desemprego em alta e crédito cada vez mais escasso, o consumidor
brasileiro tem evitado fazer dívidas e está concentrando suas compras
em itens básicos e indispensáveis à sobrevivência. Foi o que
mostrou, nesta terça, 12, a última pesquisa da Federação do
Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). Em outubro, as
vendas do setor no Estado registraram queda de 10,2%, pressionadas pelos
segmentos de vestuário, móveis e decoração, veículos e
eletroeletrônicos. O novo padrão de consumo já se reflete no
resultado das maiores varejistas do País.

Segundo o economista Altamiro Carvalho, da Fecomércio-SP, as famílias
se concentram nos produtos de primeira necessidade nos momentos de
crise. “Houve, em 2015, queda real do rendimento. Isso é um obstáculo
para o consumo de bem durável”, explica o especialista. O presidente do
instituto Data Popular, Renato Meirelles, afirma que a base da pirâmide
está fazendo de tudo para economizar. “Diante da instabilidade
econômica, a classe C tem feito um ajuste fiscal doméstico, que é
basicamente aumentar receita, reduzir despesas e não gastar mais do que
ganha.”

O receio das famílias em consumir bens de maior valor, que costumam ser
comprados a prestação, está refletido no balanço das grandes
companhias. O Grupo Pão de Açúcar divulgou ontem uma alta de 5,5% em
sua receita em 2015, para R$ 69,1 bilhões, com resultado desigual entre
as áreas. O faturamento do ramo alimentar subiu 7,1%; enquanto isso, a
Via Varejo, que concentra as redes Casas Bahia e Ponto Frio, teve
retração de 15%.

O Magazine Luiza, outra rede de eletrônicos que tem ações negociadas
na BM&F Bovespa, teve a nota de crédito rebaixada pela agência de
risco Standard & Poor’s na segunda-feira. A rede Máquina de Vendas (das
bandeiras Ricardo Eletro e Insinuante) tem capital fechado, mas também
está reestruturando seu negócio com a ajuda de consultores externos.

Segundo os dados da Fecomércio-SP, a venda de eletrodomésticos caiu
16,3% no acumulado de janeiro e outubro do ano passado. E, por enquanto,
não há sinais de recuperação no horizonte. “A gente não vê nenhum
ponto de inflexão na queda de demanda dos semiduráveis (categoria de
bens em que se enquadram os eletroeletrônicos)”, diz o analista de
varejo do Banco Brasil Plural, Felipe Cassemiro.

Foi por causa dessa falta de perspectiva macroeconômica que o banco
passou a recomendar a venda de ações do Magazine Luiza, apesar de
considerar que a empresa vem se defendendo bem da crise, com ações
para reforçar o seu caixa e ganhar mercado frente a concorrentes mais
fortes, como a Via Varejo.

PERDAS

Levantamento feito pelo Estado, com base nos dados da Economática,
mostrou que as ações de empresas do varejo de vestuário e
eletrodomésticos sofreram na BM&FBovespa em 2015 com a piora do
cenário econômico. As mais castigadas foram justamente Magazine Luiza
(-71,8%) e Via Varejo (-81,4%).

No ramo de confecções e calçados, as maiores perdas foram na rede
popular Lojas Marisa e na Restoque, dona de bandeiras de alto valor
agregado, como Le Lis Blanc, Dudalina, John John e Bobô. Dentro do
setor, Guararapes (que controla a Riachuelo) e Hering também fecharam o
ano com as ações no vermelho (veja mais detalhes acima). Segundo a
Fecomércio, o varejo de confecções acumulou queda de 11,7% nas vendas
até outubro de 2015.

A maior alta entre as principais varejistas foi da Raia Drogasil,
empresa que cresce acima da média do mercado de farmácias – em meio a
recessão, o papel subiu 40% em 2015. O mercado como um todo cresceu: ao
lado dos supermercados, as drogarias foram o único segmento varejista a
crescer em 2015, segundo a Fecomércio paulista.

Porém, a comparação das ações feita pela reportagem mostra que, no
varejo, gestão faz diferença. As ações da BR Pharma, que reúne os
negócios de drogarias do BTG Pactual, caíram 96,2% no ano. O resultado
foi influenciado pela prisão do banqueiro André Esteves, no fim de
novembro, mas o negócio já havia anunciado antes disso que precisava
de uma injeção de capital de R$ 600 milhões.

Em uma recessão, empresas com a melhor performance têm a chance de
ganhar mercado. É o que está ocorrendo atualmente com a Lojas Renner,
de confecções, que vem apresentando resultados de vendas bem
superiores aos da concorrência. Com isso, a ação da empresa ficou no
azul, com alta de 12% acumulada em 2015, mesmo em um cenário adverso
para as redes de moda. “O mercado de moda é segmentado. Então, oferece
oportunidade para movimentos como o da Renner”, explica Cassemiro, do
banco Brasil Plural./ COLABORARAM FÁTIMA LARANJEIRA e MARCELLE
GUTIERREZ

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO