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Falta de confiança do consumidor e Copa afetam grandes varejistas

Esfriamento. Consumidora olha os preços em shopping no Rio: clima de apreensão contribui para reduzir as vendas - Gustavo Stephan

Esta é a opinião de altos executivos do varejo ouvidos pelo GLOBO. Riachuelo, Máquina de Vendas, Dafiti, Dicico, Boticário, Bob’s e Carrefour são as companhias que, em diferentes proporções, admitem que 2014 será mais frio em vendas do que 2013.

No setor de eletrônicos, um dos poucos beneficiados com a Copa, por causa da procura por televisores no primeiro semestre, a previsão é de um período “difícil de agora em diante”, diz Allan Barros, diretor Comercial da Máquina de Vendas, que administra Ricardo Eletro e Insinuante:

— Há um esfriamento no consumo. O consumidor está apreensivo, ele sente que há algo errado. Existe um clima de apreensão entre os brasileiros que nos afeta diretamente.

‘Meses catastróficos’

Já o diretor executivo da Riachuelo, Flávio Rocha, que também é presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), diz que junho e julho foram meses “catastróficos” tanto na sua rede de lojas quanto no varejo em geral. Para o Natal, ele prevê desempenho “igual ou um pouco menor” que o de 2013. Fechar o ano com bons resultados será mais difícil? Rocha se desvencilha da pergunta e diz estimar que o varejo cresça uns 3% este ano:

— Isso significa que o crescimento varejista será três vezes maior que a evolução do PIB. Claro que, com um PIB menor, nosso crescimento pode ser menor. Mas a correlação é de uma alta três vezes superior ao PIB.

O setor de material de construção, fortemente afetado pela retração da construção civil, é um dos que tem enfrentado mais dificuldade para crescer com taxas parecidas às do passado. Dimitrios Markakis, presidente da Construdecor, dona da Dicico, diz que suas lojas também vendem o “morar melhor”, e não apenas produtos para construção. Mas admite que circula no país um receio de desemprego, que prejudica os planos de obras em casa. Embora não fale em números, afirma que este ano “está mais frio que 2013”.

Para impulsionar as vendas, o Carrefour tem feito “boas promoções” e tentado “melhorar os pontos de venda”, diz Eduardo Gasperini, diretor de Marketing da empresa. Já o Bob’s conta com o movimento nos shoppings no fim do ano para garantir o crescimento de 2014.

— Falta planejamento estratégico no Brasil e é por isso que vamos crescer menos do que o mundo. Não dá para focar em tudo. É preciso eleger os setores para os quais você tem mais propensão. Aí sim, vamos ver a economia deslanchar de novo — afirma Ricardo Bomeny, presidente do Bob’s.

Crescimento mais modesto

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A Dafiti, que vende roupas e sapatos só pela internet e que está ativa há menos de quatro anos, não repetirá o desempenho de 2013. Seu fundador, Malte Huffmann, diz que, nos últimos anos o faturamento cresceu na faixa dos dois dígitos. Para 2014, prevê expansão vigorosa, mas admite que logo registrará apenas um dígito, devido à base de comparação forte e redução da confiança.

O setor de cosméticos, que historicamente consegue se descolar dos ciclos econômicos, é o que menos deve sentir a redução da confiança. Artur Grynbaum, presidente do Grupo Boticário, diz que suas lojas fecharão o ano com crescimento, mas não de dois dígitos, como têm experimentado.

— Mas há uma regra básica: para ser varejista tem que ser otimista — brinca.