Em: Notícias CDLNITEROI

JUNHO 2015: OS RECORDES NEGATIVOS DO VAREJO

Uma das faces mais visíveis da recessão econômica que afeta o país está representada pelo comportamento do varejo, que passou a “colecionar” vários recordes no campo negativo. Os dados recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para maio mostram que, no caso das vendas do varejo restrito, que exclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, houve queda de 0,9% em relação a abril, a sexta consecutiva, configurando o pior maio desde 2001.

Os recordes continuaram a apresentar-se na comparação do mesmo indicador com o resultado aferido em igual mês de 2014, que mostra recuo de 4,5%, o segundo sucessivo, além de ser o maior desde maio de 2003 (-6,2%). Ao mesmo tempo, durante os primeiros cinco meses do ano, frente ao mesmo período de 2014, houve retração de 2,0%, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses registrou-se baixa de 0,5%, a primeira desde março de 2004.

A contração do volume de vendas do varejo ampliado, ao incluir os segmentos anteriores, foi ainda mais intensa, caindo 1,8% em relação a abril, 10,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior – décima segunda redução ininterrupta –, 7,0% durante o ano em curso e 5,0% em 12 meses. As principais contribuições para o resultado da comparação com o mesmo mês de 2014 foram móveis e eletrodomésticos (-18,5%), tecidos, vestuário e calçados (-7,7%) – pior maio desde 2009 – e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,1%) – quarta queda sucessiva. No caso do varejo ampliado, na mesma base anterior, o destaque negativo ficou, mais uma vez, com veículos, motos, partes e peças, cujo volume de vendas caiu 22,2%.

A maior queda relativa ocorreu em segmentos cujas compras são mais dependentes do crédito, que além de apresentar diminuição na concessão, mostra piora nas condições, com juros cada vez mais altos e menores prazos de financiamento. Contudo, é importante notar que setores que atendem a necessidades mais básicas, como no caso dos supermercados, farmácias e variedades, também sofrem com a queda da renda e do emprego.

Os dados divulgados pelo IBGE referentes às vendas do varejo em maio confirmam a tendência de desaceleração mais acentuada do comércio em todos os segmentos, e as informações mais atualizadas da ACSP revelam que a queda se acentuou em junho. O Índice Nacional de Confiança do Consumidor IPSOS/ACSP (INC) sinaliza que os consumidores estão cautelosos, e não se mostram propensos a realizar compras de bens de maior valor nos próximos meses, o que indica a necessidade de o Banco Central fazer uma parada em sua política de aumento de juros, para evitar o aprofundamento cada vez mais forte da recessão.