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Lojas do Centro de Niterói têm prejuízo com ‘rolezinho’

Lojistas devem acionar a Justiça para que os comerciantes sejam ressarcidos pelos organizadores do evento. Lojas tiveram queda de 50% nas vendas.

 

A Associação de lojistas do Plaza Shopping acionará a Justiça para que os prejuízos causados pelo “rolezinho” do último sábado sejam ressarcidos pelos organizadores da ação. De acordo com a associação, algumas lojas tiveram queda de 50% do faturamento no fim de semana por conta do ocorrido. O Sindicato dos Lojistas de Niterói (Sindilojas), a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação Comercial de Niterói convocaram a imprensa e anunciaram que caso outro evento desta natureza seja marcado para ocorrer na cidade também irão à Justiça para responsabilizar os realizadores.

“Estamos em contato com o nosso departamento jurídico e vamos acionar na Justiça os responsáveis pelo que aconteceu. Nós estamos aqui para trabalhar e o que eles fizeram foi muito ruim para o nosso trabalho. Algumas lojas perderam 50% de faturamento no fim de semana por culpa deles (movimento). Não é só na hora em que entraram no shopping, no sábado, que as lojas deixaram de vender. Muita gente não veio no domingo também porque viu as notícias no jornal. Os organizadores terão que ressarcir os lojistas dos prejuízos causados”, disse Maurício Espindola, diretor da Associação de lojistas do Plaza Shopping.

No último sábado, o centro comercial foi o ponto de encontro do movimento que tem levado muitos jovens a shoppings em todo o Brasil desde o ano passado. Apesar da presença de poucos participantes, cerca de 50 pessoas, o grupo fez barulho andando pelos corredores do shopping gritando palavras de ordem. Lojistas fecharam as portas por cerca de 2h até que o grupo fosse embora. Entidades ligadas ao comércio da cidade também mostraram preocupação com o ocorrido e anunciaram que permanecem observando de perto os fatos para acionar a Justiça caso um novo “rolezinho” seja marcado.

“Isso nos deixa muito preocupados pela falta de autoridade. Precisamos que as autoridades tenham uma estratégia para esse tipo de coisa. Nós vamos ficar atentos para que isso não ocorra e, se ocorrer, os organizadores terão de ser responsabilizados”, disse o presidente da Associação Comercial de Niterói, Luiz Paulino Moreira Leite.

O diretor do Sindilojas, Charbel Tauil Rodrigues, faz coro e explica que não concorda com a ação, pois tira o direito de ir e vir dos consumidores. Ele ainda informa que as entidades estão atentas caso o “rolezinho” se repita.

“Eles realizam o ato com o discurso de que são os excluídos e têm o direito de ir e vir. O que eles fizeram no sábado foi justamente o contrário. Eles cercearam o direito do consumidor do shopping, que ficaram presos no andar de cima, pois queriam usar a escada rolante que era de descida para subir, e dos lojistas que ficaram sem trabalhar. Recebemos a informação de que estão organizando outro rolezinho na Moreira Cézar. Se fizerem, vão ter que arcar com os prejuízos”, argumentou.

Liberdade – Fabiano Gonçalves, presidente da CDL e secretário de Desenvolvimento Econômico de Niterói, defende que esse tipo de ação é bastante prejudicial para o comerciante e por isso não deve mais ocorrer. Ele ressalta que com os custos para a manutenção de uma loja no Plaza torna os prejuízos com a paralisação das vendas enormes.

Segundo ele, uma rede de fast food deixou de faturar 30% no sábado por conta do “rolezinho”. Para Fabiano Gonçalves, a ação tirou o direito de ir e vir dos consumidores.

“No estado de direito você tem a liberdade de fazer o que quiser só que você é responsável por tudo o que você faz. O direito de ir e vir são iguais para todos. Não posso tirar o direito de centenas de pessoas de comprarem, passearem ou se divertirem em um shopping por culpa de um grupo de 50 pessoas. Isso gera medo e pânico, não contribuindo em nada para o debate democrático que o grupo do rolezinho afirma que vai fazer nos centros comerciais”, reclama.

Movimento ganha caráter político em Niterói

O “rolezinho” que teve início no interior de São Paulo, no ano passado, com caráter descontraído e promovido por uma juventude que, antes socialmente desfavorecida, busca afirmar a sua ascendência econômica e seu poder de consumo, em Niterói ganhou caráter político. Um dos líderes do movimento foi o candidato a vereador em São Gonçalo pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), nas eleições de 2012, PH Lima, de 25 anos.

Enquanto muitos jovens que participaram do ‘rolezinho’ no Plaza Shopping se aglomeravam na entrada do centro comercial antes do ato, PH fez um discurso inflamado e convocou a todos a entrarem no shopping. Antes de entoar gritos de “Não vai ter Copa” e “Eu quero ter o meu direito de ir e vir”, o político, que de acordo com o seu cadastro no TSE trabalha como cantor e compositor, cantou o clássico funk “Rap da Felicidade”. A cada andar alcançado pelo grupo, PH fazia uma pausa para proferir o seu discurso e motivar o grupo a seguir em frente.

São Gonçalo – Um evento na página de relacionamentos do Facebook chamado “Rolezinho no Shopping Boulevard São Gonçalo!” está marcado para o próximo domingo, às 16h. Até o momento 145 pessoas haviam confirmado a presença.

Procurado para comentar sobre as providências que serão tomadas para evitar prejuízos e tumulto no shopping, o Boulevard Shopping São Gonçalo esclareceu, por meio de nota, “que o movimento denominado “rolezinho” é algo novo, que chegou ao Estado do Rio nos últimos dias. Por este motivo, a direção do empreendimento ainda está analisando o fato”.

(com informações do Jornal O Fluminense)