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Niterói tem maior rendimento médio do trabalhador no Rio de Janeiro

Estudo revela ainda que o salário médio do trabalhador do município é o terceiro maior do País, chegando a R$ 2.731,10 e fica atrás apenas de Santana do Parnaíba e São Caetano

Um dos principais centros financeiros e comerciais do estado do Rio de Janeiro, onde o  rendimento médio do trabalhador é o terceiro maior do País. Essa é Niterói, que faz parte de um estudo do Itaú Unibanco divulgado esta semana e que faz uma radiografia detalhada da economia fluminense. Baseado no último censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados mostram que o município é a maior renda do Estado com média de R$ 2.731,10. No País, Niterói só fica atrás dos municípios paulistas de Santana do Parnaíba (R$ 3.157,07) e São Caetano do Sul (R$ 2.948,06). Analistas do banco também consideraram o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) da qual consta Niterói na sexta colocação estadual no item Emprego e Renda. 

Especialistas apontam a construção naval, o mercado imobiliário e as indústrias de plástico e mecânica como os setores responsáveis por Niterói estar neste patamar.

“Niterói tem atividades muito diversificadas. Além da retomada da construção naval e o boom do mercado imobiliário, a cidade é muito forte no que se refere a serviços e comércio. Juntando a isso a proximidade da capital, torna o município muito atraente para investimentos. E como a oferta de emprego é grande, os salários acabam sendo melhores também”, avalia o analista de Economia e Estatística da Firjan, William Figueiredo.

O rendimento médio do niteroiense mais que dobra (103%) se tiver sua renda média comparada à média nacional que é de R$ 1.344,70. Na comparação ao salário médio do trabalhador da Região Sudeste (R$ 1.512,30), a diferença é superior em mais de 80%. A remuneração do morador de Niterói também é mais alta em 73% em um paralelo aos R$ 1.576,30 da renda de quem trabalha na região metropolitana do Rio.

“Além de elevada renda nominal, o município de Niterói também se destaca na geração de emprego, tanto que alcançou a 6ª colocação estadual no IFDM – Emprego e Renda”, destaca o analista da Firjan.

Educação – Figueiredo cita a educação como o principal entrave para um maior crescimento. Niterói está na 31ª colocação no Estado em educação no IFDM nesse quesito. Segundo ele, a pesquisa mostra que o município tem um baixo atendimento na educação infantil –  creche e pré-escola – atendendo somente à metade das crianças até 5 anos (51%). 

“Há ainda uma elevada distorção idade-série – 24% do total de alunos do ensino fundamental. Ou seja, são muitos os jovens em idade avançada estudando em séries abaixo da média”, destaca. O especialista da Firjan diz que a nota baixa de Niterói no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), que foi de 3,75 nos dados referentes a 2010, é um reflexo deste panorama.

“Niterói está abaixo da nota média estadual (3,90) e nacional (4,05). E como as principais ofertas de emprego no município são para pessoas com pelo menos ensino médio ou técnico, uma educação básica e fundamental sólida se torna imprescindível”, avalia.

Ações – Fabiano Gonçalves, secretário de Desenvolvimento Econômico de Niterói, informa que diversas ações de qualificação profissional estão em curso para a cidade ter uma mão de obra qualificada.

“São ações em conjunto entre nossas secretarias e o Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) onde iremos qualificar os jovens para o mercado de trabalho, suprindo a necessidade do mercado”, relata Gonçalves, destacando ainda que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico está implantando ações para incentivar o investimento de empresas.

“São medidas que irão proporcionar um ambiente favorável ao investimento privado, tais como a Delegacia da JUCERJA, que atenderá toda a região do Conleste, e a Sala do Empreendedor, onde todas as demandas das empresas, no que tange a administração municipal, estarão num único local, no Centro”, anuncia.

Robson Gouvêa, presidente da Associação Conselho Empresarial e Cidadania (Acec), credita a uma soma de fatores a posição de Niterói na pesquisa.

“O renascimento, nos últimos anos, da indústria naval de nossa cidade, o crescimento da indústria de construção civil, do setor de serviços e do comércio como um todo contribuíram para a cidade estar neste patamar. Os níveis de excelência em qualidade de vida conquistados pelo município atraiu ainda novos moradores de alto perfil socioeconômico. Tudo isto está interligado compondo uma espiral virtuosa sem paralelos na história de nossa cidade”, avaliou Gouvêa. 

O presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, relata que a indústria naval em Niterói é como uma NASA brasileira. 

“Temos bases de mergulho, a qualificação para trabalho nos melhores navios. Os maiores salários estão aqui”, constata.

Fonte: O Fluminense