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OCDE prevê recessão ainda mais profunda no Brasil em 2016

A OCDE piorou nesta quinta-feira sua previsão de recessão para o Brasil, que este ano será de 4% (frente ao -1,2% previsto em novembro), em razão da incerteza política e da elevada inflação.

“A recessão no Brasil será, certamente, mais profunda do que a prevista anteriormente, com a atual incerteza política e o aumento da inflação”, explica a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris.

O relatório também reduz substancialmente suas previsões de crescimento para 2017, que será nulo (0%).

Em novembro, a organização previa que o Brasil sairia da recessão em 2017, com um crescimento econômico de 1,8%.

O PIB do Brasil já havia sofrido em 2015 uma contração de 3,8%.

O gigante sul-americano está mergulhado em uma grave crise, que combina recessão, escândalos e tensões políticas que enfraquecem suas principais empresas como a Petrobras, e paralisam o governo da presidente Dilma Rousseff, com a popularidade em seu menor nível e na mira de impeachment.

O país também recebeu um novo golpe com a eclosão da epidemia de zika, que tem obscurecido as perspectivas para os Jogos Olímpicos deste ano e o setor do turismo, embora o relatório da OCDE não mencione esses fatores.

O estudo prevê um crescimento global este ano de 3%, o mesmo que em 2015, três décimos abaixo das previsões de novembro passado, quando havia realizado um corte similar.

A revisão global reflete os “dados decepcionantes” relacionados com “a desaceleração em muitas economias emergentes” e “uma recuperação muito modesta das economias avançadas.”

Risco de “choques cambiais”

A OCDE identifica um aumento dos riscos em países emergentes como o Brasil, Rússia e Turquia, vulneráveis a “choques cambiais” em razão de suas dívidas serem amplamente denominadas em dólares.

Embora esses países se vejam atualmente em uma situação mais confortável do que em crises anteriores, poderiam ser confrontados a “sérias consequências financeiras e econômicas caso esses riscos se materializem”, ressalta a OCDE, uma organização que reúne 34 países, principalmente do mundo desenvolvido.

A agência de classificação de crédito Standard & Poor’s rebaixou na quarta-feira, na categoria especulativa, a nota da dívida soberana em moeda estrangeira do Brasil, de BB+ para BB.

Este é o segundo rebaixamento pela S&P em seis meses, depois que em setembro retirou o selo de bom pagador (grau de investimento) da sétima economia do mundo.

Outra agência de classificação, a Fitch do Reino Unido, também colocou a dívida do Brasil na categoria de “lixo” em dezembro.

Entre os países emergentes, a OCDE manteve inalterada sua previsão para o crescimento da China em 2016 (+6,5%) e aumentou em um décimo (a 7,4) a da Índia.

O Brasil faz parte do clube dos BRICs de potências emergentes (juntamente com a Rússia, Índia, China e África do Sul), que após a eclosão da crise global de 2008 atuou como motores da economia mundial.

Mas nos últimos anos a Rússia se viu afetada pela queda dos preços do petróleo e também afundou na recessão, enquanto a economia chinesa entrou em uma fase de desaceleração.

Fonte: AFP