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Olimpíadas de Londres – Lições para o comércio e hotelaria do Rio

Apesar de Londres ter sido “invadida” por atletas e amantes do esporte por causa dos Jogos Olímpicos, as visitas a museus ou a outras atrações turísticas da cidade estiveram longe de corresponder às expectativas mais otimistas. Ao contrário do que inicialmente esperavam autoridades britânicas, a quantidade de turistas tradicionais na cidade caiu em vez de crescer. “Estimamos que tenha havido uma queda de 50% no número de turistas tradicionais”, disseram representantes do setor.

 

Nesta época do ano, Londres recebe cerca de 1,1 milhão de visitantes por dia, sendo 400 mil estrangeiros e 800 mil britânicos. O número desses turistas, interessados em compras, museus e na cena cultural da cidade, teria caído para algo em torno de 550 mil. Por isso, alguns setores do comércio, os táxis, os museus e os teatros viram seus lucros caírem, apesar de Londres ter sido o centro das atenções internacionais. Nunca foi tão fácil encontrar ingressos para as peças e espetáculos da cidade ou mesmo ir às compras na popular Oxford Street.

Os hotéis de Londres costumam ser caros e ter altos níveis de ocupação – mas não estiveram particularmente mais cheios com os Jogos. Em determinados horários, o metrô, e até algumas regiões da cidade que segundo a prefeitura deveriam ser “evitadas” durante as competições, estiveram surpreendentemente vazias.

“Jogos transformam Londres em uma cidade-fantasma”, chegou a anunciar o jornal Financial Times, na capa de uma de suas edições. O esvaziamento de algumas regiões de Londres refletiu em parte esse medo dos turistas “tradicionais” de que os Jogos levassem os preços dos hotéis para as alturas e criassem filas quilométricas nas principais atrações turísticas da cidade.

Também foi o resultado de ajustes feitos pelos habitantes da cidade e imediações em sua rotina de trabalho e lazer, que receberam a recomendação de andar a pé em vez de pegar trem e metrô durante as competições. Foram feitos tantos alertas para os moradores da cidade sobre o risco de ela ficar lotada, que muitas pessoas desistiram de visitar Londres.

O fenômeno não deve se repetir no Rio de Janeiro em 2016. A avaliação é de especialistas em turismo e urbanismo. Londres possui um turismo muito consolidado, com diversas atrações que vão desde o Palácio de Buckingham até o Big Ben. O fluxo de turistas é grande durante todo o ano, principalmente de pessoas que viajam dentro da Europa. Eventos como a Olimpíada naturalmente geram transtornos em questões como, por exemplo, transporte. Por conta disso, muita gente acabou adiando a viagem a Londres.

Segundo o professor da FEI, Braulio Oliveira, “o Brasil é um país que atrai muito pouco turista estrangeiro, pelo menos, por enquanto (…) Para nós, é uma grande oportunidade de ganhar visibilidade”.

É preciso repensar economicamente a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada. Esse fenômeno ajuda a desmistificar a ideia de que os megaeventos têm apenas impactos positivos. Nick Palan, director-geral da Golden Tours, uma empresa de ônibus de dois andares, declarou: “Arruinou-nos completamente o mercado este Verão. Os hotéis aumentaram grandemente os preços no início do ano e alguns dos maiores operadores turísticos deixaram literalmente de vender Londres em Maio. Estamos com uma quebra de 20%.”