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“PIB Fuleco” reduz previsão de analistas

O desempenho da Economia bem mais fraco do que o esperado detonou uma avalanche de reduções nas projeções de analistas para o crescimento em 2012 e 2013. O PIB cresceu 0,6% no 3º trimestre e ficou abaixo das expectativas, segundo divulgado pelo IBGE na sexta-feira (30).

 

Enquanto esperavam o resultado, alguns economistas já se preparavam para diminuir suas estimativas com base em indicadores que apontavam fraqueza da atividade nos últimos meses do ano. Mas o número pegou até os mais pessimistas de surpresa. Isso provocou revisões mais significativas do que o previsto e levou o Santander a se referir ao resultado como “PIB Fuleco” (referência ao mascote da Copa do Mundo) em relatório.

As projeções do mercado para a Expansão em 2012, que eram, em média, 1,52%, agora variam de 0,8% a 1,2%. Para 2013, a tendência é que as projeções (que, em média, eram de 3,82%) caiam para algo entre 3% e 3,5%.

Ainda resta muita incerteza e opinião divergente no mercado sobre a retomada da economia. Sinais mistos de recuperação nos últimos meses alimentam as dúvidas: “A recuperação está muito mais lenta do que se imaginava”, disse Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, em entrevista a jornalistas na quarta-feira.

O principal entrave a uma expansão mais vigorosa, dizem os analistas mais pessimistas, é a recuperação fraca dos investimentos. No período entre julho e setembro, houve contração de 2% em relação ao segundo trimestre (o dobro da maioria das projeções dos analistas).

Acordar o morto

Segundo o Economista Fernando Montero, da corretora Convenção, o maior problema é que os “investimentos resistem a estímulos que, em outra conjuntura, acordariam um morto”. Ele se refere à longa lista de incentivos oferecidos nos últimos meses pelo governo, como redução dos juros de financiamentos por parte do BNDES, a queda da Selic e a desoneração da folha de pagamentos para alguns setores, entre outros.

Por outro lado, há um rol igualmente extenso de possíveis causas para o ânimo ainda tépido dos investidores. “Serão três anos seguidos de Expansão provavelmente baixa e aquém do que os investidores esperavam para o país há alguns anos”, escreveu o Economista Sergio Vale, da MB Associados, em relatório. Segundo o Economista Armando Castelar, da FGV (Fundação Getulio Vargas) e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a crise externa contribui para a cautela dos investidores, principalmente os do setor de commodities.

Mas, para Castelar, há outros fatores mais significativos, como aumento dos custos da indústria (com mão de obra e Bens de Capital importados mais caros). Ele cita ainda incertezas regulatórias e redução da capacidade de Investimento das estatais em razão de controle de preços que reduziram suas margens de lucros. Pesquisa da FGV revelou que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 0,8% entre outubro e novembro (com ajuste sazonal).

Segundo Aurélio Bicalho, Economista do Itaú Unibanco, embora essa queda tenha ocorrido após três meses consecutivos de alta, o nível de confiança dos empresários do setor ainda não é compatível com um ritmo mais acelerado de crescimento.

O Economista Octavio de Barros, diretor do Bradesco, destoa do tom pessimista: “O Investimento vem se recuperando bastante bem nesse quarto trimestre”, disse. Para ele, empresários devem reagir de forma positiva aos estímulos voltados para o setor de Bens de capital. Essa também é a opinião da LCA Consultores. A consultoria ressaltou que há indícios de recuperação dos Investimentos desde outubro.

Câmbio preocupa

Otimistas e pessimistas dividem uma preocupação: o rumo da taxa de câmbio. O temor é que o real se deprecie mais, tendo impacto negativo sobre a inflação, o que poderia levar a uma desaceleração da economia. “Uma nova rodada de depreciação do real pode ser gol contra no curto prazo”, afirma Barros.

Alguns economistas também receiam que o governo tome outras medidas intervencionistas e que isso afaste ainda mais os investidores: “Os investidores começam a questionar o Brasil por seu crescimento e intervencionismo. Esse PIB piorará os dois”, afirma Montero.