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Resultado de bancos prejudica PIB

Preocupado com o crescimento tímido da economia no início do ano, o governo atacou as altas taxas de juros para incentivar o crédito no país. Mas o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre mostrou que as medidas também tiveram efeito negativo sobre a economia.

Segundo dados do IBGE, o setor de intermediação financeira (em que estão inseridos os bancos) teve queda de 1,3% na comparação com o trimestre anterior, no pior resultado desde os últimos três meses de 2008, quando ficou em -2,9%. Na comparação com o mesmo trimestre de 2011, a queda foi de 1%, a maior desde 2003.

A intermediação financeira foi destaque negativo nos resultados do PIB, que teve alta de 0,6% no 3º trimestre, abaixo das expectativas dos analistas. O recuo do setor prejudicou o desempenho dos serviços, que terminaram o período de julho a setembro estagnados.

 “Os bancos governamentais foram obrigados a baixar o spread (diferença entre quanto os bancos ‘pagam’ pelo dinheiro e quanto ‘cobram’ por ele) e, por uma questão de concorrência de mercado, as instituições privadas também reduziram o spread. A margem das instituições que era de 27,8 caiu para 22,6”, explicou Rebeca de La Rocque Palis, gerente de contas nacionais do IBGE.

Ao comentar o resultado do PIB, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu a intermediação financeira “puxou para baixo” o setor de serviços e o PIB, mas manteve o tom positivo.

“Nós vemos que o primeiro efeito da taxa de juros foi diminuir a intermediação financeira, mas certamente isto dará um grande estímulo à economia, porque o custo financeiro, o custo do capital, do investimento, do consumo está caindo”, destacou.

Segundo Mantega, a queda na intermediação financeira é explicada pela menor liberação de crédito dos bancos e pela redução do spread. “Faltou crédito, faltou compensar a queda das taxas de juros por um volume maior de crédito para que essa taxa fosse positiva”, avaliou, acrescentando que a intermediação financeira tem um peso de 6,3% no PIB.

O ministro reconheceu que o resultado do PIB não veio dentro do esperado, mas avaliou que a economia está em trajetória de recuperação e de aquecimento, o que garantirá um resultado melhor nos próximos trimestres. “No 4º trimestre deveremos ter algo em torno de 1% e, no ano que vem, a economia estará numa trajetória de 4% do crescimento do PIB”. disse.

Juros em queda e inadimplência

Pelo lado do crédito, a estratégia parece funcionar: na quinta-feira, o Banco Central informou que o juro bancário para pessoa física registrou novo recorde de baixa, no menor valor em 18 anos.

A queda da taxa Selic, para a mínima histórica de 7,5% este ano, também contribuiu para a queda no setor de intermediação financeira. Como explicou Rebeca, muitos bancos compram títulos do governo que são reajustados pela taxa Selic. Quando essa taxa é reduzida, as instituições financeiras registram uma queda em seus recursos.

“Diferentemente de anos anteriores, o setor de intermediação financeira que enfrentou vários anos de crescimento muito alto, agora experimenta uma queda, que tem muito a ver com a política de expansão de crédito do governo. A taxa deste trimestre está próxima da taxa do terceiro trimestre de 2004, que foi de -0,7%”, disse Rebeca.

A gerente do IBGE apontou ainda que, entre os motivos para a queda da taxa está a inadimplência, apesar do aumento de renda das famílias. Em relação ao mesmo período de 2001, a inadimplência subiu de 5,3% para 5,9%. Com isso, os bancos e financeiras se retraem, reduzem o crédito e, devido a essa insegurança de não saber se os empréstimos contraídos serão pagos ou não.

Novas medidas para investimento

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira (30) que o governo deve anunciar, possivelmente na próxima semana, novas medidas para aumentar o financiamento para investimentos no país.

“Continuaremos tomando medidas. Deveremos ter novidade na semana que vem, principalmente no âmbito no financiamento para investimento”, disse. “Vamos manter um volume elevado de financiamentos para investimento com taxas de juros reduzidas, seguindo a trajetória atual”, acrescentou, sem dar mais detalhes.

Mantega rebateu as críticas de que o atual modelo de estímulos à economia já teria se esgotado e se demonstrado insuficiente para garantir a retomada do crescimento do país. “Achar que reduzir a taxa [de juros] para esse patamar é uma medida paliativa, é uma piada. Isto é uma medida estrutural”, afirmou, destacando que redução de tributos via desoneração da folha de pagamentos também é uma mudança estrutural.

“A economia está de fato acelerando e no próximo ano teremos mais desoneração da folha de pagamentos e a redução das tarifas de energia”, destacou. O ministro afirmou, entretanto, que algumas das medidas de estímulo “demoram um pouco para surtir efeito”.

“A redução da taxa de juros não surte efeito imediato e isso tem sido retardado pela crise internacional que causa uma expectativa negativa na economia internacional”, disse. “Nós vemos que o primeiro efeito da taxa de juros foi diminuir a intermediação financeira, mas certamente isto dará um grande estímulo à economia, porque o custo financeiro, o custo do capital, do investimento, do consumo está caindo”, destacou.

“Mesmo a desvalorização do câmbio também demora um pouco para surtir efeito, porque alguns exportadores já tinham feito a venda no mercado futuro, com outro câmbio. Portanto, a economia brasileira está se adptando a essa nova situação muito mais estimulante para a produção”, completou.

Segundo Mantega, a redução do spread abre possibilidade que o consumidor brasileiro possa ter maior poder de consumo, o que garantirá um ritmo melhor de crescimento da economia nos próximos trimestres. “No 4º trimestre deveremos ter algo em torno de 1% e, no ano que vem, a economia estará numa trajetória de 4% do crescimento do PIB”, avaliou.

Fonte: G1