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Ritmo acelerado na indústria naval de Niterói e momento é promissor

Bom momento da indústria naval em Niterói impulsiona busca por qualificação. São previstas, duas mil contratações e investimento de R$ 1,4 bi para os próximos anos.

O setor da indústria naval em Niterói está passando por um dos momentos mais promissores da sua história. Após esta constatação, no dia do lançamento da embarcação José de Alencar, em janeiro deste ano, o presidente da Petrobras Transportes S.A (Transpetro), Sérgio Machado, deu sinal verde para o início da construção de mais oito navios de produtos no Estaleiro Mauá, na Ponta da Areia, que demandará investimento de R$ 1,4 bilhão para os próximos dois anos. E para atender à demanda, o momento é de se qualificar para disputar uma vaga neste concorrido setor.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Fabiano Gonçalves, para Edson Rocha, secretário de Administração e Finanças da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CNM/CUT) e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Niterói e Itaboraí (Stimmerj estão previstas, pelo menos, duas mil contratações.

“Em 2013 houve uma demanda muito grande de empregos para o Porto de Niterói. É certo que mais de mil trabalhos surgirão com a chegada de uma nova base de operação chamada DIC de Reparo. Para isso, é preciso que os interessados na área naval procurem os cursos oferecidos e se qualifiquem para o mercado que está aquecido”, orienta Fabiano Gonçalves.

Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), cerca de 65 mil pessoas trabalham no setor da indústria naval em todo o Brasil, sendo 12 mil apenas nas cidades de Niterói e São Gonçalo. As dez áreas com maior demanda no setor são: soldador de serviços gerais, chapeador/montador, encanador, praticante e ajudante, rebarbador, maçariqueiro, pintor, soldador de eletrodo revestido, montador de andaime e mecânico.

De acordo com Edson Rocha, a expectativa de contratação para o setor naval em Niterói é uma das mais altas dos últimos anos. “A expectativa é que cheguemos a mil empregos nos estaleiros neste ano. E o sindicato vai acompanhar o trabalhador dia a dia para garantir todos os seus direitos e suas bonificações nestas grandes conquistas. Essa vitória é da classe trabalhadora, uma vez que muitos empresários também desconfiavam da nossa capacidade e defendiam a importação da mão de obra”, acrescenta Edson.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), oferece cursos técnicos e de qualificação gratuitos para os interessados em atuar no setor. Na unidade de Niterói, por exemplo, os interessados podem procurar cursos na área de metalurgia, logística, mecânica, automação e eletricidade.

Segundo o coordenador de Projetos Educacionais do Senai Rio, Allain Fonseca, além da parte técnica, algumas competências são de grande importância ao candidato. É necessário que o profissional que queira atuar nesse segmento saiba trabalhar em equipe, afinal, ele irá compor um time com centenas ou até mesmo milhares de pessoas, em que o trabalho de um componente está fortemente correlacionado ao trabalho do outro.

“A visão do conjunto do trabalho – chamada de visão sistêmica – também é fundamental. É necessário não só executar o seu trabalho, como também saber para que ele serve, compreender sua importância frente ao conjunto, quais etapas estão relacionadas e, sobretudo, saber intervir para resolver problemas e imprevistos”, diz ele.

O coordenador explica, ainda, que a disciplina operacional é outro aspecto importante na atuação profissional na indústria naval, no sentido de que é fundamental cumprir os procedimentos e atentar sobre as normas necessárias à manutenção do padrão de qualidade exigido. Um trabalho feito da forma incorreta, além do prejuízo financeiro, pode comprometer o cronograma do empreendimento, expor a segurança dos trabalhadores, gerar problemas ambientais, entre outros riscos.

“Com o avanço das tecnologias aplicadas ao segmento, cada vez mais se torna importante elevar os patamares de escolaridade. A interpretação de textos escritos – para consultas a normas, manuais e também para o entendimento das ordens de serviço – e o aprimoramento do raciocínio lógico-matemático – para realizar cálculos e interpretar plantas e croquis – são fatores importantes e muito valorizados”, observa Allain.

Considerando as questões técnicas, a realização de bons cursos de educação profissional é um diferencial para a hora da contratação. Na base operacional, destaca-se a atuação de soldadores nos mais diversos processos, caldeireiros, profissionais de ajustagem mecânica, montadores de estruturas metálicas, eletricistas, dentre outros. No nível técnico destacam-se os cursos de Técnico em Mecânica, Técnico em Soldagem e Técnico em Segurança do Trabalho, além do Técnico em Construção Naval.

No Rio de Janeiro, as riquezas produzidas pela extração de petróleo e gás respondem por 35% do produto interno bruto (PIB) industrial do Estado, com os investimentos para apoiá-la. O Estado tem ainda 386 construções navais em andamento em 22 estaleiros. Em 2012, o Rio voltou a ser o maior empregador do país no setor, com 31 mil trabalhadores, segundo fonte do Sinaval.

“A entrega de várias embarcações em tão pouco tempo demonstra a capacidade da indústria naval brasileira de produzir grandes navios para atender às demandas da Petrobras. Os trabalhadores deram a volta por cima e calaram muitos pessimistas de plantão que jogavam contra o resgate do setor naval em 2005, quando construímos o Promef (Programa de Modernização e Expansão da Frota)”, afirma Rocha.

O Promef impulsionou a reconstrução da indústria naval brasileira após uma crise de décadas, com investimento de R$ 11,2 bilhões na encomenda de 49 navios e 20 comboios hidroviários. O Brasil tem, atualmente, a quarta maior carteira mundial de encomendas de navios e a terceira de petroleiros. A indústria naval, que chegou a ter menos de 2 mil operários na virada do século, hoje emprega mais de 60 mil pessoas.

Os principais países da indústria naval internacional, como Japão, Coreia do Sul e China levaram, respectivamente, 63, 53 e 23 anos para atingir a maturidade do setor. Enquanto, em apenas 13 anos, o Brasil já obteve resultados comparáveis aos do mercado chinês.

Novas embarcações e mais postos de trabalho

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, destacou a importância dos investimentos da indústria naval na cidade. No último dia 14, durante a cerimônia de viagem inaugural do navio José Alencar, no Estaleiro Mauá, na Ponta da Areia, Neves fez questão de destacar o papel do governo do ex-presidente Lula na retomada do setor em Niterói, que culminou na ativação de importantes estaleiros.

“Muitos não acreditavam, mas o programa de retomada dessa indústria deu certo e hoje estamos celebrando essa grande conquista. É um dia todo especial para o Brasil, para o Estado do Rio e para Niterói. A indústria naval tem um papel fundamental no desenvolvimento econômico de nossa cidade e parabenizo não só a Transpetro, mas também aos trabalhadores, que demonstraram sua capacidade inquestionável de trabalho e aos marítimos”, disse.

Com os sete navios da primeira fase do Promef entregues, o índice de conteúdo nacional será superior a 65%, garantindo geração de emprego e renda no país. Apenas no estaleiro Mauá, onde o José Alencar foi construído, foram gerados 4 mil postos de trabalho, dos quais 1,2 mil diretamente na construção da embarcação.

O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, anunciou também, a autorização para construção de mais oito embarcações, no valor de R$ 1,4 bilhão. “Estamos nos aproximando do terceiro pilar do Promef que é a sustentabilidade que irá nos levar ao pódio no mercado internacional da construção naval. Ninguém acreditava no projeto e nós mostramos que podemos construir navios sim!”, disse Machado.

“Com essa nova encomenda garantimos um setor naval forte e o emprego em alta em Niterói e região. Tudo o que está acontecendo agora é fruto de um trabalho dedicado dos metalúrgicos que não fogem à luta e a cada dia demonstram para todo o mundo que somos capazes de fazer embarcações com qualidade”, completou Edson Rocha, presidente do Stimmerj.

(com informações de O Fluminense)