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Sexta-feira promete ser de grandes descontos

Lojas e sites brasileiros aderem à tradição norte-americana que sucede o dia de Ação de Graças e lançam promoções “quentes” um mês antes do Natal.

O dia de Ação de Graças é um feriado típico da América do Norte. Celebrado um dia após a comemoração que lembra a união entre os colonos ingleses e os índios locais, o Black Friday – ou ‘Sexta-feira Negra’ em tradução livre – é uma data que se tornou global nos últimos anos. Sempre promovida na última sexta-feira de novembro, a ação, que é realizada nos Estados Unidos desde a década de 1970 chegou ao Brasil em 2010 e já ganhou adesão de várias lojas do varejo. 

Com o objetivo de vender produtos com descontos formidáveis, a versão nacional do Black Friday começou pela internet, com poucos sites oferecendo descontos de até 70% nas mercadorias. Este ano, várias marcas com lojas físicas entram na lista de participantes e pretendem fazer uma verdadeira queima de estoques antes do Natal.

Como os americanos, vários brasileiros aguardam a data para fazer grandes compras. Este é o caso do engenheiro Agrícola, Lucas Dutra de Melo. Ele já comprou em outras edições e pretende adquirir mais produtos este ano. 

“Dependendo do produto, vale à pena comprar no Black Friday, sim, especialmente se tratar de mercadorias não essenciais. Geralmente compro jogos de videogame ou coletâneas de filmes, coisas que dá para esperar.”

Porém, mesmo com a queda acentuada do preço, Melo ainda prefere as compras nos Estados Unidos. Segundo ele, “os valores trabalhados no Brasil são absurdamente mais altos que lá fora, mesmo quando estão em ofertas.” 

Quem concorda com Melo é a garçonete Priscila Harayasiki, brasileira que mora em Gadsden, no Alabama.

“Vale muito a pena comprar nos Estados Unidos durante o Black Friday, pois no Brasil a gente tem que pagar vários impostos. Aqui à data é bastante conhecida e várias filas se formam em frente às lojas que oferecem descontos verdadeiramente atraentes. Geralmente os vendedores vão nas filas anunciando os produtos e quem quiser pega a senha. Se há 20 computadores, os primeiros 20 da fila se apresentam e esperam até a abertura da loja. Quando as portas se abrem é uma loucura”, explica.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Fábio Gonçalves, o Black Friday deve ser visto com atenção. Segundo ele, para muitos que gostam de consumir em sites americanos na data, as chances da sonhada compra se tornar um pesadelo são grandes.

“Este tipo de consumidor que compra na Balck Friday está atrás de preço. Muitos se sentem atraídos pelas lojas internacionais que, muitas vezes, acabam não cumprindo com o que é combinado, deixando os compradores frustrados. O risco da mercadoria não chegar é grande e os processos podem demorar, já que grande parte delas não possuem filial no Brasil”, argumenta. 

O presidente ainda ressalta o fato das lojas americanas não terem a intenção de fidelizar os clientes, diferente dos comércios brasileiros.

“Nossa preocupação é o cliente comprar sempre. Queremos um preço justo e atendimento de qualidade”, defende. 

Descontos não tão honestos – No ano passado, muitos brasileiros se sentiram lesados por lojas nacionais que aumentavam o preço dos produtos pouco antes do evento para descê-los durante o Black Friday, vendendo-os por valores praticamente iguais aos ofertados há três meses antes do dia. Para evitar fraudes durante a ação, o Procon do Rio de Janeiro promete uma fiscalização mais detalhada.

De acordo com o órgão, em parceria com uma entidade conveniada, houve a verificação dos preços em sites que estão participando da campanha, antes da promoção do Black Friday. Hoje, o Procon vai confrontar os preços que constam nestes sites para ver se a redução que estão anunciando é real ou se configura numa oferta enganadora. O site que estiver enganando os consumidores será autuado.  

Outra forma do consumidor se manter seguro durante as compras feitas pela internet é verificar se a página virtual possui o selo do evento. Encabeçada pela Câmara Brasileira do Comércio Eletrônico, a campanha ‘Black Friday Legal’ aponta as empresas que concordaram com o Código de Ética da data e que estão de acordo com a série de exigências feitas pela Camara-e.net. 

“Os consumidores brasileiros já não são tão desinformados como antes. Eles já sabem os preços que os produtos custam ao redor do mundo e provavelmente já até sabem o custo deles. Essas informações estão a clique de distancia. Cabe ao varejo brasileiro se acostumar a esta nova realidade. Fico na expectativa de com o varejo esse ano vai se recuperar da péssima repercussão que teve ano passado”, torce o engenheiro Agrícola. 

O que saber para o Black Friday brasileiro – Segundo o Procon, o consumidor possui o direito de trocar o produto que comprou pela internet em até sete dias após o seu recebimento. É o chamado direito de arrependimento. Ele deve guardar os e-mails que recebe da empresa que comprou e mandar cópia para si mesmo de todos os e-mails que envia para a empresa. O consumidor também deve sempre copiar a página do site com a promoção do produto que quer comprar. Basta apertar o “print screen” e gravar a imagem. São provas da negociação que poderão ser usadas mais tarde, caso haja algum problema com a empresa. Confira outras dicas de como se portar na hora das compras virtuais.

Antes de fazer uma compra na internet, o órgão adverte que realize uma pesquisa abrangente, buscando opiniões de quem já comprou.

Sites com registro .br são ainda mais fáceis de pesquisar, pois é possível identificar o CNPJ da loja e fazer uma consulta completa na Receita Federal. Sempre verifique a reputação da loja virtual escolhida em sites como o Reclame Aqui e o próprio Google

Certifique-se de que o endereço (URL) da página em que você está comprando é mesmo o da loja. Ele deve terminar em algo como “nome da empresa.com.br”.

Todas as lojas online confiáveis usam conexões criptografadas na hora de transmitir os dados dos consumidores em segurança. Isso é indicado pela sequência de caracteres “https://” no início do endereço da página onde é feito o pagamento. 

Os browsers sinalizaram quando uma conexão é segura e leva a um site com identidade confirmada. Um cadeado fechado é o símbolo normalmente usado para isso. Em alguns casos, o link aparece na cor verde.

Fonte: O Fluminense