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Só temporário evita que setor feche vagas no ano

Com a previsão de desaceleração nas vendas, o emprego no comércio varejista será diretamente afetado. O resultado da criação de vagas em 2014 só não ficará negativo devido às contratações temporárias de fim de ano. A estimativa é que o setor ofereça 138,7 mil vagas entre setembro e novembro, expansão de 0,8% em relação às vagas temporárias criadas para o Natal do ano passado, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Segundo a presidente da Associação Brasileira do Trabalho Temporário, (Asserttem), Jismália Oliveira, as contratações voltadas para o Natal começam em novembro, mas em setembro é a época em que as indústrias buscam mão de obra para reforçar a produção para o fim de ano.

— A percepção é que a demanda de temporários pela indústria está lenta. Tínhamos expectativa de que a Copa do Mundo criasse oportunidades, mas não foi o que esperávamos. As contratações de temporários podem empatar com as do ano passado — diz.

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, a criação de empregos formais está em desaceleração. Nos sete primeiros meses, caiu 30,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Passou de 907.214 para 632.224 vagas com carteira assinada. Mas o comércio — incluindo varejo e atacado — foi o único setor que fechou vagas no período, com redução de 50.065 postos de trabalho.

No comércio varejista, há um saldo negativo de 78,2 mil vagas de janeiro a julho. “Assim como no ano passado, caberá ao emprego temporário de fim de ano a reversão do déficit de vagas em 2014”, concluiu a CNC.

A comerciante Andressa Dias Rodor planeja contratar dois vendedores temporários a partir de outubro. Há três meses, ela abriu uma loja de tecidos em Taguatinga, no Distrito Federal. Com as vendas constantes, ela espera resultado positivo no fim do ano, mas observa que precisa treinar constantemente os funcionários:

— A maior preocupação é a qualificação dos vendedores. Eles precisam saber atender bem e mostrar os produtos.

Já Gutemberg Abílio e Olindina Abílio, donos de lojas de roupa infantil, não pretendem ampliar o quadro de trabalhadores. Devido à carência de mão de obra no mercado, reclamam que, em média, a cada cinco meses, Gutemberg diz que precisa contratar e treinar vendedores.

— No fim do ano, vamos continuar com a equipe que temos.

As contratações ocorrerão, sobretudo, em novembro, mês que costuma concentrar 65% das admissões de fim de ano. Vestuário e calçados devem responder por 48,7% das vagas. A remuneração média no varejo deverá ser de R$ 1.025, 1,4% maior em termos reais do que a do ano passado.