Em: Notícias CDLNITEROI

Tráfico de drogas: o novo concorrente do comércio de Niterói

A nova realidade na segurança pública na região metropolitana do Rio de Janeiro tem preocupado os comerciantes da região, principalmente o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Niterói. Fabiano Gonçalves, na última semana, comentou sobre as informações conseguidas com um suposto funcionário da empresa de prestadora de serviços Ampla. Segundo os dados, a empresa de energia mapeou as áreas em que a prestação de serviços não é feita em decorrência da ação de bandidos.

O aumento da criminalidade se reflete também no comércio da cidade de Niterói e regiões próximas. Sobre este assunto, Fabiano Gonçalves falou ao jornal A Tribuna. Confira a matéria abaixo.

 

A ameaça do tráfico na região

Uma onda de pavor está tomando conta dos comerciantes de Niterói. O alarme é feito pelo presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL), Fabiano Gonçalves, que ressalta a falta de segurança para os comerciantes que tem suas lojas instaladas nas ruas da cidade. Em razão disso, muitos comércios estão sendo fechados antes do anoitecer. Nas ruas, funcionários terceirizados da Ampla dizem que, em determinadas comunidades, são ameaçados por traficantes de drogas.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a área chamada de ‘Grande Niterói’, integrada pelos 7º BPM (São Gonçalo) e 12º BPM (Niterói), teve um leve aumento de roubo em estabelecimentos comerciais. Em janeiro de 2011 foram registrados 51 casos, contra 54 no mesmo período de 2012.

Para Fabiano Gonçalves, a situação está cada dia mais preocupante.

“Muitos lojistas estão se sentido inseguros. Então quando escurece eles fecham as portas, pois preferem perder dois clientes do que um dia inteiro na mão de um ladrão”, disse.

De acordo com ele, os bairros Centro, Ingá, Icaraí, Santa Rosa e Região Oceânica são os locais onde os comerciantes estão mais inseguros para trabalhar.

“O comércio de rua está sendo prejudicado com esse aumento da violência. E vira um ciclo, o funcionário ou o proprietário do estabelecimento fica transtornado e traumatizado com o roubo e a agressividade destes criminosos, em consequência o comércio se prejudica e em seguida a economia municipal”, afirma.

Criminosos munidos com armamento pesado e motos, seriam os principais causadores do pânico dos lojistas. “Já soubemos de casos em que o motoqueiro invadiu a loja, agrediu o lojistas, roubou tudo e no final ainda deixou uma marca psicológica na vida desta pessoa, que hoje em dia não quer mais trabalhar. Está terrível a situação”, alega.

O comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Wolney Dias, informou que marcará, embora sem data definida, uma reunião com o presidente da CDL, Fabiano Gonçalves, para estabelecer metas de segurança intensiva nas regiões de risco. “É importante tentarmos focar em ações estratégicas. Estamos ganhando reforço no efetivo aos poucos para tentar atender a todas as demandas de Niterói”, disse.

 

Funcionários em risco

Não são somente os lojistas e moradores que estão em perigo. Funcionários terceirizados da concessionária Ampla, que precisam entrar em comunidades para fazer serviços de ordem pública e particular, também estão sendo alvos de ameaças criminosas.

Os trabalhadores da empresa relatam que muitas vezes foram impedidos de entrar nas localidades, tanto em Niterói como em São Gonçalo e, para piorar a situação, já sofreram ameaças com armas de grosso calibre. “Já tive problemas com instalação de chips em comunidades como Salgueiro, em São Gonçalo. Havia muita resistência dos criminosos que nos faziam ameaças. Tínhamos que ir embora devido ao risco de vida”, disse um ex-funcionário que preferiu não se identificar.

De acordo com ele, a Ampla mandava outras equipes às localidades perigosas com uma escolta armada para realizar o serviço, evitando assim colocar a vida dos funcionários em risco.

Um outro trabalhador da concessionária, que atua em toda Niterói, revelou presença constante de traficantes em comunidades, que os intimidam e impedem a realização de serviços. “Diversas vezes traficantes colocam armas de grosso calibre em nossas cabeças e nos ameaçam. Já perdi a conta de quantas vezes isso aconteceu. Essas situações acontecem normalmente quando somos chamados para remover ligações clandestinas (gatos)”, contou.

 

Documento

Um documento, não oficial, obtido por um suposto funcionário da concessionária Ampla, de nome não informado, revelou índices alarmantes sobre o aumento da violência na região Leste Fluminense. Segundo o documento, os próprios funcionários da empresa não estariam conseguindo exercer suas funções de manutenção, reparos e concertos devido ao grande número de criminosos oriundos do Rio de Janeiro, que teriam se estabelecido em regiões como Niterói, São Gonçalo e Petrópolis.

A Ampla informou que desconhece a existência do documento e que, até o momento, não há reclamações de funcionários sobre a impossibilidade de trabalhar devido à presença de tráfico em determinadas localidades.

O documento, veiculado por uma emissora de TV, relata que, em três anos, houve um aumento de cerca de 200% em áreas de risco na Região Leste, o que dificultaria o acesso dos funcionários da concessionária. Em 2009, pelo menos 113 mil pessoas moravam nestas regiões. Já em 2012, o número subiu para 352 mil, desde a pacificação das favelas cariocas em 2008.

Somente em Niterói, ouve um aumento de cerca de 45% de pessoas que vivem em área de risco. Em 2009 eram 45 mil, e hoje são 65 mil. Em São Gonçalo, a situação também não é diferente. De 18 mil pessoas morando em área de risco, em 2009, o número saltou, em 2012, para 118 mil moradores em situações críticas em relação à violência.

Em Petrópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, foi constatado um aumento de 23 mil em 2012, sendo que em 2009 não havia registro de pessoas morando em áreas de risco.

A Secretaria de Segurança do Estado informou que não teve acesso ao documento e que não há indícios da migração de traficantes para a Região Leste Fluminense.

De acordo com o comandante do 12º BPM, Wolney Dias, a Ampla nunca solicitou o apoio do batalhão para que ajudasse no trabalho nas comunidade. “Volto a afirmar que não existe comunidade em que não podemos entrar. Se solicitarem nosso apoio, de fato que vamos ajudar”, disse.

 

Fonte: atribunarj.com.br