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Vamos ter que mudar a forma como definimos trabalho

26/01/2018

É o que diz Elatia Abata, especialista em RH que está estudando as transformações causadas pela tecnologia no mercado de trabalho.

Em 2016, a especialista em RH Elatia Abata fez as malas e começou uma viagem por várias cidades dos Estados Unidos, Canadá e Europa para entender como os avanços da tecnologia estão afetando os empregos e, mais do que isso, para compreender como as pessoas estavam se sentido diante dessas transformações.

Cobrindo tecnologia no Pequenas Empresas e Grandes Negócios, uma questão que sempre surge é: como ficaram os empregos. Já é realidade, com a inteligência artificial, computadores que elaboram defesas jurídicas, escrevem textos jornalísticos e até fazem diagnósticos médicos. No PEGN.TEC fizemos reportagens sobre chatbots, que podem fazer o trabalho de operadores de telemarketing, aplicativos que faziam o papel de garçons. E esse tipo de inovação não para de surgir.

Um levantamento divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, indica que a automação deve acabar com 7,1 milhões de empregos até 2020. Isso preocupa muita gente e deve ser assim mesmo. Só nos preocupando com o futuro vamos nos preparar para ele. O que Elatia, depois de quase um ano de viagem, diz é que não precisamos necessariamente ter medo, mas devemos nos adaptar.

A primeira mudança é a forma como vemos o trabalho. Ele vai continuar existindo, mas de outras formas. Segundo Elatia, na Europa, desde 2010, mais de 50% dos empregos criados são temporários: “São para profissionais como médicos e até CEO’s de grandes corporações”.

Por isso, para Elatia, uma das coisas que devemos mudar é como enxergamos nosso caminho profissional. “Temos que ser capitães do nosso próprio destino”, ela diz. Aqui entra algo em que acredito muito: habilidades empreendedoras são fundamentais, mesmo que você não esteja abrindo uma empresa. A boa notícia é que podemos aprender e treinar para sermos empreendedores. Minha sugestão é ter sempre isso em mente.

Atualmente, temos inúmeras ferramentas nas mãos que não tínhamos dez anos atrás. Isso permite que a gente crie soluções próprias diferentes, estude e faça cursos que há algum tempo nem imaginaríamos ter acesso. Para tirar proveito disso, é claro, é preciso estar disposto a se adaptar e trabalhar para isso. Se você é motorista, por exemplo, que tal pensar no que será necessário aprender para se reinventar quando os carros forem autônomos? O próximo passo é ir atrás desse conhecimento.

Se algumas funções e cargos irão sumir, outros irão aparecer. Hoje mesmo é difícil preencher alguns postos de trabalho por não haver mão de obra com as habilidades exigidas. Por isso, nesse cenário, a educação e o aprendizado contínuo são fundamentais.

Na entrevista com Elatia, expus para ela minha preocupação com a situação de países como o Brasil, em que a maior parte da população não tem acesso à educação básica de qualidade ou a possibilidade de bancar um curso ou adquirir meios para se comunicar e acessar conteúdo online. Ela é positiva. “Em cinco ou sete anos 3 bilhões de pessoas terão acesso à internet e assim a oportunidades de educação e empreendedorismo”, explica. Com ferramentas como vídeos ou leitores de texto, até pessoas analfabetas terão acesso à educação. Que assim seja!

Fonte: http://g1.globo.com/